Nossa Senhora da Assunção e São José


80 - HUMILDADE – GRATIDÃO – LOUVOR!

Livro da Vida 14, 11

 

 Suplico-Vos, Deus meu, que assim seja e que eu as cante sem parar, já que Vos dignastes conceder-me graças tão imensas que espantam os que as vêem e que muitas vezes me deixem fora de mim para que eu melhor Vos louve; porque, sem Vós, eu não poderia, Senhor meu, senão voltar a ter cortadas as flores desse jardim, de modo que essa terra miserável servisse outra vez de monturo. Não o permitais, Senhor, nem desejeis que se perca uma alma que com tantos sofrimentos conquistastes, e que tornastes a resgatar em inúmeras oportunidades, arrancando-a dos dentes do espantoso dragão.
 Vossa mercê me perdoe a digressão; não estranheis que eu fale de mim mesma, porque isso vem da impressão que causa na alma o que escrevo, sendo por vezes custoso deixar de irromper em longos louvores a Deus, à medida que me vem à mente, enquanto escrevo, o muito que ela lhe deve. E creio que isso não vai desagradar vossa mercê, porque nós, creio eu, podemos entoar um mesmo cântico, se bem que de maneira diferente. Isso porque devo muito mais a Deus, por ter Ele me perdoado mais, como vossa mercê o sabe.

 

"sem Vós, eu não poderia, Senhor meu, senão voltar a ter cortadas as flores desse jardim, de modo que essa terra miserável servisse outra vez de monturo".  Com um bom pincel, acertemos nossas pinceladas, sob as indicações de nosso amigo e irmão Frei Ivo.

 

         Lendo este texto de nossa Santa, do Livro da Vida, percebemos e sentimos que Teresa de Jesus  nos contagia com estas três realidades: Humildade, Gratidão e Louvor!
        Só a pessoa que é simples, humilde e pequena, sabe reconhecer quem ela é,
 e quem é Deus para ela.

 


Só a pessoa que é simples, humilde e pequena, sabe reconhecer a sua imensa pequenez e, ao mesmo tempo, sabe agradecer e louvar pela infinita grandeza de Deus.
Lendo este texto de Santa Teresa, comecei a repetir dentro de mim, o Salmo 8, que eu agora quero partilhar com você que acompanha este escrito.
Veja o que diz este belíssimo  Salmo 8:
“Senhor, Senhor, como é majestoso o teu nome em toda a terra. 
Tu, cuja glória é cantada nos céus. 
Dos lábios das crianças e dos recém nascidos firmastes o teu nome como fortaleza, por causa dos teus adversários, para silenciar o inimigo que busca vingança.
Que é o homem, para que com ele te importes?
E o filho do homem, para que com ele te preocupes?
Tu o fizeste um pouco menor do que os seres celestiais e o coroaste de glória e de honra.
Tu o fizeste dominar sobre as obras das tuas mãos e sob os seus pés tudo puseste. 
Todos os rebanhos e manadas e até os animais selvagens, as aves do céu, os peixes do mar e tudo o que percorre as veredas dos mares.
Senhor, Senhor nosso, como é majestoso o teu nome em toda a terra”.
Este Salmo 8 é maravilhoso, quando é rezado, refletido e meditado com humildade, com gratidão e com louvor.
Este Salmo 8 faz com que a gente se perca dentro deste amor infinito de Deus, pois ao deixarmos Deus nos envolver no seu amor, nós nos sentimos de verdade, “como uma criança nos braços de seu pai, de sua mãe”. Totalmente amados. Totalmente envolvidos. Totalmente protegidos. Totalmente seguros.

 


Fazer esta experiência de amor, não por eu tomar a iniciativa de amar, mas sim, por deixar-me amar por Deus, fazer esta experiência de amor, é sentir a imensidão de Deus que nos envolve, é reconhecer o quanto nós somos pequenos, frágeis, débeis, inconseqüentes, pecadores.
Fazer esta experiência de amor, é sentir a imensa alegria de ver que Deus me envolve no seu amor, não por que eu mereça, mas simplesmente porque Deus é um Pai infinitamente misericordioso.

 


Nestes tempos de pandemia, em que percebemos que um pequeno vírus é capaz de nos desmontar, capaz de provocar tanto sofrimento, capaz de tirar tantas vidas, capaz de gerar tanto sofrimento...
Neste tempo de pandemia, onde fazemos esta experiência de nossa pequenez, de nossas limitações e de nossa miséria...
Neste tempo de pandemia, será que este Salmo 8, não quer nos chamar de volta a realidade. Uma realidade que nos pede para reconhecermos que nós não somos “pequenos deuses”, que nós não somos onipotentes, que nós não somos imbatíveis?
Será que tudo isso que estamos enfrentando, não é um convite para descermos do pedestal da arrogância, da prepotência, da autossuficiência e reconhecermos que o Senhor de tudo, que o Senhor de nossas vidas, é somente Deus?
No texto de Santa Teresa, essa nossa mãe, nos mostra o quanto ela sente em sua vida a presença deste Deus amoroso, que a envolve neste amor e ama infinitamente, mesmo no meio de suas limitações?
Não perca tempo...
Pegue o pincel e retrate da tela da sua vida, isso que Teresa nos fala e que o Salmo 8, de um modo tão maravilhoso nos diz: retrate nesta tela uma imagem de um Pai que envolve em seus braços misericordiosos a você, tão pequeno, tão frágil, tão pobre, tão pecador, mas que é imensamente grande por ser amado por este Deus. 

 


Deixe-se abraçar... 
Deixe-se envolver neste amor... 
E não fale nada... 
Num silêncio povoado de Deus, com toda a humildade, agradeça e louve sem cessar...  
        

Frei Ivo Bortoluz OCD 


                                                                    Vamos rezar com as Irmãs...
 

                                                                         

Teresa, mãe amada dignai-vos assistir nossos dias,
interecedendo junto a Deus por nós...      

"Só a pessoa que é simples, humilde e pequena, sabe reconhecer a sua imensa pequenez e, ao mesmo tempo, sabe agradecer e louvar pela infinita grandeza de Deus".  Concede-nos Senhor a graça de percorrermos os caminhos de filhos de Deus, reconhecendo hoje e sempre a Tua presença Salvadora e Misericordiosa em todos os acontecimnetos da história humana.  Vos agradecemos Senhor, pelo dom da vida e os Vossos ensinamentos que nos acompanham.  Amém.