Nossa Senhora da Assunção e São José


74- ONDE JESUS QUER NASCER?

Livro da Vida 14, 2b - 3

 

Isso é o recolhimento das faculdades dentro de si para uma alegria mais prazerosa com o contentamento que se obtém. Mas essas faculdades não se perdem nem ficam adormecidas; só a vontade se ocupa, de modo que, sem saber como, se torna cativa, apenas dando consentimento para que Deus a encarcere, como quem bem sabe ser presa daquele a quem ama. Ó Jesus, Senhor meu! Quanto nos vale aqui o Vosso amor. Pois ele ata a tal ponto o nosso que não deixa liberdade, naquela hora, para amar alguma coisa além de Vós.
As outras duas faculdades ajudam a vontade, para que esta se vá tornando capaz de fruir de tanto bem, embora algumas vezes, mesmo estando a vontade unida, muito atrapalhem. Se isso acontecer, não se deve fazer caso delas, mas conservar a alegria e a quietude; porque, se a vontade quiser recolhê-las, acaba por se perder junto com elas, pois estas se tornam então pombas que não se contentam com a comida que o dono do pombal dá, buscando alimento por conta própria; essas pombas, nesse caso, se dão tão mal que acabam por voltar, ficando assim indo e vindo, na esperança de que a vontade lhes dê um pouco do que desfruta. Se o Senhor quiser jogar-lhes comida, elas se detêm; se Ele não o faz, elas voltam a procurar. Elas devem pensar que beneficiam a vontade. Mas, nas vezes em que a memória ou imaginação quer representar para a vontade o que esta está sentindo, o resultado é maléfico. Deve-se atentar, pois, para a maneira de se comportar de que agora falarei.

 

Viver o "Dia do Pequeno", eis a dica do Papa partilhada conosco pelo Frei Ivo, que no primeiro dia de dezembro completou 45 anos de ordenação sacerdotal. Nossa gratidão e prece pela vida e sacerdócio de nosso amigo e irmão Frei Ivo, instrutor das pinturas da vida no nosso Menu Livro da Vida, que completou 5 anos no site. Que nosso pincel com tão sábias indicações não se perca em movimentos contrários ao de uma vida centrada no Cristo e nos seus ensinamentos.

 

               No dia 03 de dezembro de 2019, o Papa Francisco fez uma belíssima homilia na Capela da Casa Santa Marta, onde de um modo muito prático e objetivo, comenta o momento em que Jesus agradece e louva a Deus, por ter revelado tudo aos pequenos e simples e ter escondido isso aos sábios e inteligentes. (Mt 10, 21-24).
            O Papa nos fala sobre a pequenez!
            O Papa nos diz que esse evangelho faz com que a gente comemore hoje o “Dia do Perqueno”.
Assim fala o Papa: “A redenção, a revelação, a presença de Deus no mundo começa assim e sempre é assim. A revelação de Deus se faz na pequenez. Pequenez, seja humildade, seja… tantas coisas, mas na pequenez. Os grandes se apresentam poderosos, pensemos na tentação de Jesus no deserto, como Satanás se apresenta poderoso, dono de todo o mundo: “Eu dou tudo se você...”. Ao invés, as coisas de Deus começam brotando, de uma semente, pequenas. E Jesus fala desta pequenez no Evangelho”.
Jesus se alegra e agradece ao Pai porque se revelou não aos poderosos, mas aos pequeninos, e recordou que no Natal “iremos todos ao presépio onde está a pequenez de Deus”. 

 


E Francisco fez uma uma advertência:
“Numa comunidade cristã onde os fiéis, os sacerdotes, os bispos, não tomam esta estrada da pequenez, esta comunidade não terá futuro, ruirá. Foi o que vimos nos grandes projetos da história: cristãos que buscavam se impor, com a força, a grandeza, as conquistas... Mas o Reino de Deus brota no pequeno, sempre no pequeno, a pequena semente, a semente de vida. 
O Espírito não pode entrar num coração soberbo
O Espírito escolhe o pequeno, sempre”, porque não pode entrar no grande, no soberbo, no auto-suficiente. É no coração pequeno que acontece a revelação do Senhor”.

 


O Papa falou dos estudiosos de teologia para destacar que os teólogos “não são aquelas pessoas que sabem tantas coisas de teologia, se assim fosse, poderiam ser chamados de ‘enciclopedistas’ da teologia: Sabem tudo; mas são incapazes de fazer teologia porque a teologia se faz de joelhos, fazendo-se pequenos.
O verdadeiro pastor seja ele sacerdote, bispo, papa, cardeal, qualquer que seja, se ele não se tornar pequeno, ele não é um pastor. Ao contrário, ele é um gerente de escritório. E isso aplica-se a todos. Do que tem uma função que parece mais importante na Igreja, à pobre velhinha que faz as obras de caridade em segredo.
Um cristão parte sempre da pequenez. Se eu na minha oração me sinto pequeno, com as minhas limitações, meus pecados, como aquele publicano que rezou no fundo da igreja, envergonhado: "Tenha piedade de mim que sou pecador", então eu irei para frente. Mas se eu me considerar que sou um bom cristão, então eu rezarei como aquele fariseu que não saiu justificado: "Dou-te graças, Deus, porque sou grande". Não, agradeçamos a Deus porque somos pequenos”.
O Papa Francisco concluiu a sua homilia dizendo que “gosta tanto de administrar o sacramento da confissão e, acima de tudo, gosta de confessar as crianças. Suas confissões, disse ele, são belas, porque contam os fatos concretos: "Eu disse esta palavra", por exemplo, e a repetem para você”. 
Finalmente, o Papa comenta: "A concretude daquele que é pequeno. "Senhor, sou um pecador porque faço isto, isto, isto, isto... Esta é a minha miséria, a minha pequenez. Mas envia o teu Espírito para que eu não tenha medo das grandes coisas, não tenha medo de que faças grandes coisas na minha vida".


Caminhando para o Natal do Senhor, escute nosso Papa Francisco e, pegue o pincel e retrate na tela de sua vida o presépio, onde você contempla e ouve a voz do Menino de Belém lhe dizendo:  “O Espírito não pode entrar num coração soberbo”.

Frei Ivo Bortoluz OCD 


                                                                    Vamos rezar com as Irmãs...
 

                                                                         

Ó Santa Teresa de Deus amada,
grande amiga do Senhor, dá-nos sede de Deus...      

“A redenção, a revelação, a presença de Deus no mundo começa assim e sempre é assim. A revelação de Deus se faz na pequenez. Pequenez, seja humildade, seja… tantas coisas, mas na pequenez..." Pequenez , Senhor, pequenez para não errar os movimentos do píncel na pintura da minha vida de cada dia e na proximidade da vida dos que colocas junto a mim. Amém.