Nossa Senhora da Assunção e São José


69 - DEVOÇÕES TOLAS ...

Livro da Vida 13, 16-17

 

Por isso, é muito importante que o mestre seja inteligente — isto é, de bom entendimento e experiente. Se, além disso, tiver instrução, será perfeito. Contudo, não sendo possível achar as três coisas juntas, as duas primeiras são mais relevantes, porque, caso seja necessário, os principiantes podem recorrer aos letrados para alguma consulta. No início, os mestres que não fazem oração, ainda que sejam sábios, são de pouca ajuda; não digo que não se deva ter contato com letrados, porque um espírito que não comece pela verdade melhor faria em não orar. Além disso, a instrução é muito boa porque ensina aos que pouco sabemos e nos dá luz, para que, chegando às verdades da Sagrada Escritura, façamos o que devemos; de devoções tolas, livre-nos Deus.
Desejo explicar-me melhor, pois acredito que me perco em muitas coisas. Sempre tive o defeito de não saber dizer as coisas - como falei - senão com muitas palavras. Uma monja começa a fazer oração; se for dirigida por um simplório, e a este parecer melhor, ele lhe dará a entender que é preferível que ela lhe obedeça a que obedeça ao seu superior — e sem malícia, imaginando estar certo; porque, se não for religioso, ele vai pensar que assim deve ser. Se for uma mulher casada, ele lhe dirá que é melhor, em vez de cuidar da casa, dedicar-se à oração, mesmo que descontente o marido. Dessa maneira, ela não vai saber organizar o tempo nem as suas ocupações para que em tudo siga a verdade. Por lhe faltar luz, ele não a dá a ninguém, embora queira. E, ainda que para isto não pareça necessário ter instrução, sempre tive a opinião de que todo cristão deve procurar ter relações com quem a tenha, se puder, e quanto mais melhor; e os que seguem o caminho da oração têm mais necessidade disso, e tanto maior quanto mais espirituais forem.

 

 

 Com um bom pincel na mão os traços podem sair mais limpos, para assim ensaiarmos a transparência desde a pintura até a vida. Frei Ivo está presente com sua habilidade e entendimento!

 

      

No texto acima apresentado, nossa  querida Santa Teresa de Jesus nos diz esta frase célebre e tão verdadeira e real: “De devoções tolas, livre-nos Deus”!
        Mas o que são devoções tolas?
        Em primeiro lugar, é muito importante que a gente nunca julgue a ninguém no seu jeito de tentar viver uma dimensão de relacionamento com Deus. Cada pessoa tem um jeito próprio de ser e de se relacionar com Deus. Cada pessoa é livre para praticar, do seu jeito e do seu modo, este relacionamento co m Deus.
        Porém, sem julgar a ninguém, precisamos ter o bom senso de analisarmos certos comportamentos que, por si mesmos, já revelam que nestes relacionamentos está faltando inteligência e profundidade. 
São relacionamentos que “dão na cara” de qualquer um, que não são  verdadeiros, sinceros, leais e profundos.
São relacionamentos que revelam superficialidade e até mesmo infantilidade, no jeito com que são vividos e praticados.
São relacionamentos que manifestam ausência de coração, isto é, revelam que são muito “enfeitados e afetados” com “coisinhas” que nada tem a ver com valores reais e essenciais.
Devoções tolas são aquelas que revelam muita preocupação com a exterioridade, mas que nada revelam de interioridade e de profundidade.
Devoções tolas são aquelas que podemos praticar como verdades fundamentais e que, quem não as praticar do jeito que nós as praticamos, é considerado inferior e até mesmo infiel, por não praticar essas devoções do jeito que nós as praticamos.
Devoções tolas são aquelas que apresentam uma “foto”, uma “imagem” que nada tem a ver com o conteúdo que vai por dentro daquela “foto” ou daquela “imagem’.
Devoções tolas são as “etiquetas” que colocamos e apresentamos, mas que nada condizem com o conteúdo que vai por dentro destas “etiquetas”. 
Ser discípulo ou discípula de Jesus é muito mais do que praticar algumas coisas.
Ser discípulo ou discípula de Jesus é tentar viver e se relacionar do jeito que Jesus viveu e se relacionou com Deus Pai. 


E o relacionamento de Jesus com o Pai sempre foi marcado pela transparência, pela verdade, pela liberdade, pela autenticidade e pelo amor.
Esta comunicação de Jesus com o Pai foi tão autêntica que Jesus chega a afirmar: “Eu e o Pai somos um”.
Cultivar e viver uma devoção autêntica, é com liberdade e com verdade, comunicar-se com Deus de uma maneira sincera, transparente, leal e comprometida.
De um modo muito simples e verdadeiro, o Papa Francisco diz: “Quem não se coloca a caminho, jamais conhecerá a imagem de Deus, jamais encontrará a face de Deus. Os cristãos sentados, quietos, nunca descobrirão a face de Deus, jamais O conhecerão. Para caminhar é preciso certa inquietude, que o próprio Deus colocou em nosso coração e que nos leva a buscá-lo dia-a-dia’.
Quando não se vive um relacionamento com Deus alicerçado na verdade e na transparência, acabamos por criar certas devoções tolas, alicerçadas em regras,  normas e preceitos que nunca fazem com que a gente se encontre com Deus Verdade e Deus Amor.
A verdadeira devoção é aquela que nos coloca a caminho, para buscar o rosto de Deus no dia-a-dia de nossas vidas. A verdadeira devoção é aquela que brota, não de uma pura religiosidade, mas sim, de uma espiritualidade que é o que dá “cor” para todo o meu viver e o meu agir. A verdadeira devoção faz com que eu “inspire e transpire Deus”, pois Deus é o meu viver e o meu agir.
Pegue o pincel e retrate na tela de sua vida, este lindo “quadro”, onde se contempla esta cena maravilhosa: você entregando o seu coração transparente para Deus e Deus abraçando e tocando tudo o que está dentro deste seu coração!

Frei Ivo Bortoluz OCD 


                                                                    Vamos rezar com as Irmãs...
 

                                                                         

Ó Santa Teresa de Deus amada,
grande amiga do Senhor, dá-nos sede de Deus...      


Senhor vinde em nosso auxílio para assim desejarmos a verdadeira devoção, a verdadeira oração: ” Cultivar e viver uma devoção autêntica, é com liberdade e com verdade, comunicar-se com Deus de uma maneira sincera, transparente, leal e comprometida.” Senhor, dá-nos sede dessa realidade tão divina e tão humana: “A verdadeira devoção faz com que eu “inspire e transpire Deus”, pois Deus é o meu viver e o meu agir.” Como canta o salmista: “Vosso amor vale mais do que a vida e por isso meus lábios vos louvam.” Assim seja com o vosso auxílio e a vossa graça. Amém