Nossa Senhora da Assunção e São José


52- TERESA, UMA MULHER CRIATIVA! II

Livro da Vida 12, 1

 

 “O que pretendi dar a entender no capítulo anterior — embora tenha enveredado por outras coisas que me pareciam muito necessárias — foi o ponto até o qual podemos chegar por nós mesmos e a maneira como, nessa primeira devoção, podemos valer-nos dos nossos próprios recursos. Porque, ao pensarmos detalhadamente no que o Senhor passou por nós, alcançamos a compaixão, encontrando sabor nesse sofrimento e nas lágrimas que dele vêm; pensar na glória que esperamos; no amor que o Senhor teve por nós e em Sua ressurreição nos dá um prazer que não é de todo espiritual nem dos sentidos, mas é um prazer virtuoso e um pesar muito meritório. Assim são todas as coisas que causam devoção quando o entendimento está envolvido, muito embora, se Deus não a desse, não se poderia merecê-la nem ganhá-la. É muito bom que uma alma que só chegou até aqui graças ao Senhor não procure ir além por si — e muito se atente para isso —, para que não obtenha, em vez de lucro, prejuízo.”

 

"Assim são todas as coisas que causam devoção quando o entendimento está envolvido, muito embora, se Deus não a desse, não se poderia merecê-la nem ganhá-la". Com um bom pincel, mão firme e bem disposta, na companhia e guia do Frei Ivo, iniciemos nossa pintura. 

 

              

Continuando o assunto a partir de “Teresa, uma mulher criativa,” tenha bem presente o que nos diz nossa Santa, quando nos pede que saibamos olhar para Deus, como Aquele do qual tudo depende e em tudo o que d’Ele dependemos.

 

 

Veja como, com criatividade, o Francisco de hoje, a partir do Francisco de ontem, nos falam aquilo que Teresa nos pede.
Ó Mestre, fazei que eu procure mais, consolar, que ser consolado.
Ó Mestre de vida, mais do que um mestre de doutrina, fazei que procuremos apenas encontrar a consolação de uma Igreja-Mãe que sai de si mesma e renunciar às consolações feitas por nós mesmos, que não servem, porque assim o coração não se torna humilde.
Compreender que ser compreendido.
 Que a centralidade da misericórdia reflita no discernimento que significa não fugir, mas ler a realidade seriamente, sem preconceito, para melhor compreender até onde chega a sua misericórdia,   e assim elimine todas as formas de fechamento e desprezo e expulse todas as formas de violência e discriminação.
Amar, que ser amado;
Que toquemos a miséria humana, que toquemos a carne sofredora dos outros e renunciemos a procurar aqueles abrigos pessoais ou comunitários, que permitem manter-nos à distância do nó do drama humano, a fim de aceitarmos verdadeiramente entrar em contato com a vida concreta dos outros e conhecermos a força da ternura.
Pois é dando que se recebe;
Pois é renunciando a ser uma Igreja “auto-referencial” que se redescobre o sacrificar-se com alegria. A alegria de crer, para melhor sermos uma  Igreja pobre e para os pobres, que aprende com a sabedoria dos bairros populares, capaz de  tecer  laços de pertença e convivência que transformam a superlotação numa experiência comunitária, onde se derrubam os muros do eu e superam as barreiras do egoísmo. 
É perdoando, que se é perdoado;
É reconhecendo, em primeiro lugar, que somos pecadores e depois alargar o coração até esquecer as ofensas recebidas, pois para sermos misericordiosos, é necessário o conhecimento de si mesmos e alargar o coração. 

 


E é morrendo que se vive para a vida eterna.
É morrendo para tudo, que  nos leva a despersonalização da pastoral,  que por sua vez , nos  leva a prestar mais atenção à organização do que às pessoas,  vivendo num estado de absoluta dependência dos seus pontos de vista, frequentemente  imaginário; é morrendo para tudo isso  que podemos viver para, tornar o Reino de Deus presente no mundo e crescermos na consciência do cuidado pela casa comum de que são inseparáveis a preocupação pela natureza, a justiça para com os pobres, o empenhamento na sociedade e a paz interior.
Na oração atribuída a São Francisco de Assis; na interpretação criativa desta oração pelo Papa Francisco, acabamos por entender nossa Santa Teresa de Jesus que nos afirma o quanto é importante descobrirmos Deus, numa experiência que nos faz sentir o quanto esse Deus nos ama, mesmo que a gente não tenha nenhum mérito. O quanto é importante saber nos “jogar e abandonar” em Deus, pois só assim acabaremos por descobrir e sentir como é bom descobrirmos e vivermos esta arte de sabermos nos perder em Deus.
Pegue o “pincel” e retrate na “tela” de sua vida esta fantástica e maravilhosa cena, onde você está totalmente pleno, por se encontrar totalmente perdido e envolvido no amor de Deus.

Frei Ivo Bortoluz OCD

 


                                                                    Vamos rezar com as Irmãs...
 

                                                                         

Ó Santa Teresa de Deus amada,
grande amiga do Senhor, dá-nos sede de Deus...

“descobrir e sentir como é bom descobrirmos e vivermos esta arte de sabermos nos perder em Deus”, sob essas palavras cresça em nós, Senhor a confiança e o desejo de rezar, de me dispor a estar Contigo, de permanecer sob o teu olhar.  “ao pensarmos detalhadamente no que o Senhor passou por nós, alcançamos a compaixão”.  Dá-nos Senhor do encontro Contigo, um coração grande e aberto que unido a Vós brilhe em tudo e a todos o Teu Amor. Amém.