Nossa Senhora da Assunção e São José


51- TERESA, UMA MULHER CRIATIVA! (1)

Livro da Vida 11, 16 - 17

 

Eu disse “ter discrição” porque às vezes o demônio age. Assim, é bom que não se deixe sempre a oração quando se está muito distraído e perturbado no intelecto, nem se atormente sempre a alma, obrigando-a a fazer o que não pode.
Há outras ocupações além de obras de caridade e de leitura, mesmo que por vezes nem isso seja possível. Sirva-se então ao corpo por amor a Deus, para que ele, em muitas outras ocasiões, sirva à alma; dedique-se o tempo a conversas virtuosas ou a passeios pelo campo, segundo o conselho do confessor. Em tudo, vale muito a experiência, que nos dá a entender o que nos convém e nos faz ver que em tudo servimos a Deus. Suave é o seu jugo, e muito vale a pena não arrastar a alma, como se diz, mas levá-la com suavidade para seu maior aproveitamento.
 Assim, repito - e mesmo que não pare de fazê-lo, ainda não o terei enfatizado o bastante - que importa muito que não nos atormentemos nem nos aflijamos com essas securas, com a inquietude e com a distração nos pensamentos. Quem quiser obter liberdade de espírito e não ficar sempre atribulado deve começar por não se espantar com a cruz; se o fizer, verá que o Senhor também ajuda a levá-la, e viverá contente e tirando proveito de tudo. É natural, pois se o poço está seco, nós não podemos enchê-lo de água; é verdade que não podemos nos descuidar, para que, quando houver água, a tiremos - porque, nesse caso, Deus deseja por meio dela multiplicar as virtudes.

 

Senhor, ao iniciar com a Sua graça este Novo Ano, abri nossos olhos e nosso coração para com novo olhar, novo coração e nova disposição. Dá-nos igualmente um novo pincel para com mais precisão seguirmos os traços do amigo e irmão Frei Ivo.

 

              

Inicio lhe pedindo: leia novamente o texto de Teresa, acima colocado e veja as “dicas” que Teresa nos dá para que, com  criatividade,  saibamos enfrentar certos momentos difíceis de nossa vida, especialmente no que se refere a vida de oração.
        Tendo como base o texto de nossa Santa, acompanhe esta maravilhosa e criativa oração, feita pelo Papa Francisco, a partir de outra maravilhosa oração, atribuída,  
a São Francisco de Assis.


        

Senhor, fazei de mim um instrumento de vossa paz;
Senhor, “infundi em nós a coragem” para “trabalhar pela paz” de modo que o “estilo da nossa vida se torne: shalom, paz, salam!” 
Onde houver ódio, que eu leve o amor;
Onde houver “níveis alarmantes de ódio e violência” e “odiosas generalizações”, que possamos levar o “nome de Deus que é misericórdia” 
Onde houver discórdia, que eu leve a união;
Onde houver “feridos por antigas divisões”, que possamos mostrar que “não ignoramos a sua dor ou pretendemos fazer-lhes perder a memória”, mas que possamos ser testemunhas do “Espírito que harmoniza todas as diversidades” e deseja selar um “pacto cultural” e assim fazer surgir uma “diversidade reconciliada” e uma “ecologia cultural”
 Onde houver dúvidas, que eu leve a fé;
 Onde houver “dúvidas” ou “fases de aridez, até de um certo cansaço”, que saibamos oferecer “uma pedagogia que introduza a pessoa passo a passo até chegar à plena apropriação do mistério”

 

 

Onde houver erros, que eu leve a verdade;
Onde houver “erros”, que saibamos ensinar que “não se aprende apenas das virtudes dos santos, mas também das faltas e dos erros  e não nos preocupemos só com não cair em erros doutrinais, mas também com ser fiéis a este caminho luminoso de vida e sabedoria e assim ajudar as pessoas a chegar a um estado de maturidade, isto é, para que as pessoas sejam capazes de decisões verdadeiramente livres e responsáveis porque é frequente dirigir aos defensores da “ortodoxia” a acusação de passividade, de indulgência ou de cumplicidade culpáveis frente a situações intoleráveis de injustiça e de regimes políticos que mantêm estas situações”
Onde houver ofensa, que eu leve o perdão;
Onde houver “ofensas” e “violação da dignidade pessoal” que saibamos reconhecer que “a bondade não é fraqueza, mas verdadeira força capaz de renunciar à vingança”, e assim romper o “círculo” de “violência” 
Onde houver desespero, que eu leve a esperança;
Onde houver “vidas ceifadas por falta de possibilidades”, que saibamos ensinar a “pedir a graça da esperança que não é otimismo, mas uma força que ressuscita e infunde a coragem para olhar o futuro”

 

 

Onde houver tristeza, que eu leve a alegria;
Onde houver uma “tristeza individualista que brota do coração comodista e mesquinho, da busca desordenada de prazeres superficiais, da consciência isolada” ou “pessoas que se vergam à tristeza por causa das graves dificuldades que têm de suportar. Especialmente das populações das periferias urbanas e das zonas rurais – sem terra, sem teto, sem pão, sem saúde – lesadas em seus direitos” que saibamos ajudar a compreender que a “alegria não se vive da mesma maneira em todas as etapas e circunstâncias da vida, por vezes muito duras” porém, “adapta-se e transforma-se, e sempre permanece pelo menos como um feixe de luz” que torna “possível desenvolver uma nova capacidade de sair de si mesmo rumo ao outro”
Onde houver trevas, que eu leve a luz.

 

 


Onde houver “tantos anos e tantos momentos de hostilidade e escuridão, abri os nossos olhos e os nossos corações”, que possamos ajudar a compreender que “encontra-se o amor de Deus dentro de nós, inclusive nos momentos obscuros, e assim caminhemos rumo à luz.”
Pegue o “pincel” e retrate na “tela” de sua vida, este linda e criativa gravura onde podemos contemplar este jeito bonito de viver a comunicação com Deus, a partir da realidade que o cerca.

Ivo Bortoluz OCD

 


                                                                    Vamos rezar com as Irmãs...
 

                                                                         

Ó Santa Teresa de Deus amada,
grande amiga do Senhor, dá-nos sede de Deus...

"Senhor, ao iniciar com a Sua graça este Novo Ano, abri nossos olhos e nosso coração para com novo olhar, novo coração e nova disposição, compreendermos e vivermos as verdades que estão encerradas nos textos da Santa Madre Teresa, de São Francisco e do Papa Francisco. Tomando da habilidade do pincel do Frei Ivo rezemos: “Que com o “pincel” retratemos na “tela” de nossa vida, este linda e criativa gravura onde podemos contemplar este jeito bonito de viver a comunicação com Deus, a partir da realidade que o cerca”.