Nossa Senhora da Assunção e São José


47- SER BRINQUEDO DE JESUS!

Livro da Vida 11, 12

 

Que fazeis Vós, Senhor meu, que não seja para maior bem da alma que já sabeis ser Vossa e que se põe em Vosso poder para seguir-Vos por onde fordes, até a morte na cruz, determinada a ajudar-Vos a carregá-la e a não Vos deixar sozinho com ela?
Quem vir em si essa determinação… de modo algum deve temer. Não tem razão para afligir-se quem se dedica às coisas do espírito. Estando já no nível tão alto que é o do desejo de ficar a sós com Deus e de renunciar aos passatempos do mundo, a alma fez a maior parte. Louvai por isso Sua Majestade e confiai em Sua bondade, pois Ele nunca faltou aos seus amigos. Fechai os olhos da mente para não pensardes: por que Ele dá devoção a alguém em pou¬cos dias e a nega a mim em tantos anos? Acreditemos que é tudo para o nosso bem maior. Guie Sua Majestade por onde quiser. Já não somos nossos, mas Seus. Ele já nos favorece bastante ao nos dar disposição para cavar no Seu jardim e estar aos pés do seu Senhor, que por certo está conosco. Se Ele deseja que essas plantas e flores cresçam, para uns jardineiros com a água que tiram do poço e, para outros, sem ela, que importância tem isso para mim? Fazei Vós, Senhor, o que quiserdes. Que eu não Vos ofenda e que não se percam as virtudes, se alguma já me destes só por Vossa bondade. Desejo padecer, Senhor, pois Vós padecestes. Faça-se em mim, de todas as maneiras, a Vossa vontade, e não permitais que uma coisa tão valiosa quanto o Vosso amor seja dada a quem só Vos serve em busca de consolações.

 

“Santa Teresinha nos diz que ela olhava para esses momentos como momentos em que Jesus Menino estava brincando com o seu “brinquedo”. E, brincando com o seu “brinquedo”, Jesus estava sempre com este “brinquedo”  junto dele.” Com as dicas e orientações do Frei Ivo,  a pintura de nossa vida segue sob o olhar do Bom Jesus.

 

      

Olhe bem o que nos diz Teresa de Jesus nos texto acima colocado: “Já não somos nossos, mas Seus.”
        Ao ler e “degustar” todo texto acima colocado, veio-me a lembrança aquele lindo episódio da vida de Santa Teresinha do Menino Jesus.
        Teresinha nos diz que ela se considerava o “brinquedo” de Jesus.
        Quando tudo ia bem na sua vida; quando ela se sentia plenamente feliz; quando ela vibrava com a vida que tinha e com o que lhe acontecia nesta vida; Teresinha nos diz que ela olhava para esses momentos como momentos em que Jesus Menino estava brincando com o seu “brinquedo”. E, brincando com o seu “brinquedo”, Jesus estava sempre com este “brinquedo”  junto dele.
      

 

 

 Porém, Teresinha nos diz que chegavam momentos em que Jesus Menino cansava de brincar. E, então, cansado, Jesus Menino deixava o seu “brinquedo”  jogado num canto da sala e começava a dormir.
        Conforme Teresinha do Menino Jesus, estes eram aqueles momentos nos quais ela se sentia só; momentos de escuridão; momentos de aridez; momentos de dor e de sofrimento.
        Porém, e aqui é que entra a grande diferença de Teresinha, nestes momentos em que Jesus Menino deixava seu “brinquedo” lá, jogado no canto da sala, Teresinha, mesmo no meio do sofrimento, sempre sentia a alegria de uma esperança que lhe dava a certeza de que, quando Jesus Menino acordasse daquele sono, que Ele iria pegar o seu “brinquedo” e voltar a brincar novamente com ele.
        Tendo presente este simples e fantástico exemplo de Teresinha do Menino Jesus, olhe para o que nos diz Teresa de Jesus: “Já não somos nossos, mas Seus.”
        Na verdade, quando conseguimos alcançar esta compreensão, então, na nossa vida, tudo se modifica e tudo se transforma, pois já não mais ficaremos “cobrando” de Deus, mas saberemos nos “abandonar” na maravilhosa bondade de Deus.
             Abandonar-se na maravilhosa bondade de Deus, nada mais é do que saber que nós não somos nossos, mas que somo d’Ele!

 

 

                           

 

             Abandonar-se na maravilhosa bondade de Deus, nada mais é do que experimentar esta fantástica arte de saber descobrir que Deus está em tudo aquilo que acontece no meu viver, mesmo que eu não consiga sentir ou perceber Deus naquele momento de dor e de sofrimento que estou passando na minha vida.
              Abandonar-se na maravilhosa bondade de Deus, nada mais é do que fazer esta experiência fantástica de sentir que Deus é Pai sempre, mesmo que às vezes, eu não entenda o jeito de Deus ser Pai.
              Abandonar-se na maravilhosa bondade de Deus, nada mais é do que fazer esta maravilhosa experiência de sentirmos que, apesar de nossa pequenez e de nossas misérias, Deus nos ama com um amor eterno e infinito.
              Abandonar-se na maravilhosa bondade de Deus, nada mais é do que sentir este “brinquedo” de Deus, que somos nós, sempre amado e sempre querido, seja nas alegrias, seja nos sofrimentos; seja nas luzes, seja nas sombras.
              Quando conseguimos vivenciar esta maravilhosa bondade de Deus em nossa caminhada, então sim, iremos ser totalmente d’Ele, porque já não iremos viver conforme o que queremos, mas sempre estaremos disponíveis para fazer a vontade d’Aquele que nos chamou e que nos ama eternamente.
               Nunca esqueça do que nos diz Teresa de Jesus: “Já não somos nossos, mas Seus.” 
               Nunca esqueça de ser este “brinquedo” de Deus, como Teresinha do Menino Jesus nos ensinou.
               Pegue o pincel de sua vida, e tente retratar este momento maravilhoso no qual você se sente totalmente envolvido pelo abraço bondoso e misericordioso deste Deus que é Pai. Sempre um Pai que ama com fidelidade. Sempre um Pai que não pode não nos amar.

Ivo Bortoluz OCD

 


                                                                    Vamos rezar com as Irmãs...
 

                                                                         

Ó Santa Teresa caminhai conosco 
para daí seguirmos contigo...

“Na caminhada que fazemos em busca de uma vida de oração,
sempre precisamos perseverar”. 
"Abandonar-se na maravilhosa bondade de Deus, nada mais é do que fazer esta maravilhosa experiência de sentirmos que, apesar de nossa pequenez e de nossas misérias,
Deus nos ama com um amor eterno e infinito".
Vinde em nosso auxílio Senhor, para que nosso coração se renda aos convites de Vosso Amor.
Pela intercessão de Santa Teresa e Santa Teresinha, seja-nos dado experimentar a grandeza
de Vossa bondade na pequenez e grandeza com que nos formastes, pelo dom de nossa vida. 
Nunca esquecermos do que nos diz Teresa de Jesus: “Já não somos nossos, mas Seus.” 
               Nunca esqueça de ser este “brinquedo” de Deus,
como Teresinha do Menino Jesus nos ensinou. 
Amém.