Nossa Senhora da Assunção e São José


39- QUEM AMA! QUEM GOSTA!

Livro da Vida 11, 2a

 

2a- Bem vejo que não há com que se possa comparar na terra tão grande bem; (ser servos do amor,que não me parece outra coisa além de nos decidirmos a seguir por esse caminho de oração Aquele que tanto nos amou) mas, se fizéssemos o que está em nossas mãos, desapegando-nos das coisas da terra, dedicando-nos por inteiro ao céu, creio que sem dúvida teríamos esse bem muito depressa, se logo nos entregássemos de todo, como o fizeram alguns santos. Contudo, julgamos dar tudo quando oferecemos a Deus somente a renda e os produtos, ficando com a raiz e a propriedade. Determinamo--nos a ser pobres — o que é bastante nobre —, mas muitas vezes voltamos a preocupar-nos e a labutar para que não nos falte não apenas o necessário como o supérfluo, e para granjear amigos que no-los dêem, e temos maiores preocupações (expondo-nos, por vezes, a perigos) para que nada nos falte do que antes, quando éramos proprietários.

 


Iluminados pela Misericórdia de Deus, pintemos nossa tela, sob as orientações e dicas do nosso amigo e irmão Frei Ivo...

 

Ao ler este texto de Teresa, diante do chamado de atenção que nossa Santa nos faz sobre como às vezes damos algo para Deus, mas ficamos com algo para nós mesmos; sobre como, na teoria ou doutrina nos entregamos a Deus, mas na prática ficamos com muitas coisas para nós mesmos.

 

 

 

 

        Ao ler este texto, recordei de uma pequenina história que me contaram,  já fazem muitos anos.
        Diz a história que um padre missionário, caminhava num país distante de sua terra, debaixo de um sol terrível. E caminhando debaixo daquele  sol escaldante, o missionário começou a sentir sede. Só que não tinha nenhum lugar por perto, onde ele pudesse pedir um pouco de água.
      

 

 

 

 


A sede daquele missionário aumentava cada vez mais e ele já estava entrando em pânico por tamanho desejo de tomar, pelo menos, um pouquinho de água.
        De  repente, aquele missionário viu um menino caminhando em sua direção. E o menino vinha descascando uma laranja. O missionário pensou: vou pedir um gomo dessa laranja para suavizar esta sede que tenho.

 

 


O missionário chegou perto do menino e falou: “Meu filho, eu estou morrendo de sede. Quando você terminar de descascar a sua laranja, você me dá um gomo para eu suavizar essa sede que tenho.”
O menino não disse nada e continuou descascando a sua laranja.
O missionário parou perto do menino,  ficou olhando e esperando.
Quando o menino terminou de descascar a laranja, ele se aproximou do missionário e entregou toda a laranja para o missionário.
O missionário olhou para o menino e falou: “Não, filho. Eu só quero um gomo.”
O menino sorriu, olhou para o missionário e falou: “Pegue toda  padre. Eu amo o senhor!”

 

 


 

 


Quem ama se dá e se doa totalmente, incondicionalmente, radicalmente.
Quem apenas gosta, dá um pouco e guarda o restante para si.
Quem ama sente a alegria de descobrir que não existe maior alegria do que ver que o Amado é feliz por causa da minha entrega.
Quem apenas gosta, nunca consegue descobrir e sentir esta alegria, porque na sua doação sempre fica a dor de ter que “entregar algo que lhe pertence.”

 

 

 


Quem ama, com pouco se satisfaz e se sente totalmente feliz.
Quem apenas gosta, sempre se sente insatisfeito com o que tem e cria necessidades para ter sempre mais.
Quem ama, vive a vida e se relaciona com gratuidade.
Quem apenas gosta, sempre cobra o amor dado e se não recebe retribuição, se fecha e pára de se doar.

 


 

 

Quem ama, sabe “morrer por amor” para descobrir a alegria de viver a vida com muito mais intensidade e plenitude.

 

 

 


Quem apenas gosta, não aprendeu a arte de “saber perder por amor” e sempre quer ganhar algo com o amor dado e doado.

 

 

 


Quem ama, descobriu que “aquele que perder a sua vida por causa de Jesus, vai ganhá-la.”
Quem apenas gosta, fica perguntando o que eu vou ganhar deixando tudo para segui-Lo.

 

 

 

 


Neste início de novo ano, peça a Deus esta grande graça de saber amar com gratuidade, pois na gratuidade do amor é que se descobre a imensa alegria de termos a capacidade de amar.
Na vida, eu tenho que ser feliz por poder amar.
Se me retribuírem, bendito seja Deus. Porém, se não me retribuírem, vou continuar amando, pois eu sou feliz pelo simples e maravilhoso fato de poder amar.

 


 


Inicie bem este novo ano. 
Pegue um “pincel” e,  neste começo de 2017,  retrate na “tela de sua vida” a alegria de ser uma pessoa feliz por ter a linda e maravilhosa capacidade de amar!

 



 

 

Frei Ivo Bortoluz OCD

 


                                                                    Vamos rezar com as Irmãs...
 

                                                                         

Ó Santa Teresa caminhai conosco 
para daí seguirmos contigo...

Agradecemos Senhor todos os benefícios que recebemos ao longo de todos os dias do ano de 2016 que encerramos. Agradecemos as dificuldades e desafios encontrados e vividos com a vossa graça, iluminados e esclarecidos, quando rezamos e confiamos na tua companhia e assistência de Pai, Amigo e Irmão. Agradecemos pelos ensinamentos que nos vieram pelo pincel do Frei Ivo, sua disposição, generosidade e sabedoria conduziram a cada mês o nosso pequeno pincel. E iniciamos este novo ano seguindo suas indicações: “Quem ama, quem gosta”. “Na vida, eu tenho que ser feliz por poder amar. Pegue um “pincel” e,  neste começo de 2017,  retrate na “tela de sua vida” a alegria de ser uma pessoa feliz por ter a linda e maravilhosa capacidade de amar!”  Dá-nos Senhor sob o olhar da Santa Mãe de Deus, olhos abertos e atentos a dar não só um gominho das muitas laranjas que terei ao longo de todo esse ano, mas a confiança ilimitada na força do amor que se doa sem cessar. Amém.


Rogai por nós Santa Teresa de Jesus.
Para que sejamos dignos das promessas de Cristo.