Nossa Senhora da Assunção e São José


38- MARAVILHAR-SE COM A MISERICÓRDIA!

Livro da Vida 11, 1

 

1- Falando agora dos que começam a ser servos do amor (que não me parece outra coisa além de nos decidirmos a seguir por esse caminho de oração Aquele que tanto nos amou), considero uma dignidade tão grande que sinto enorme prazer só de pensar nela; porque o temor servil logo desaparece se passamos por esse primeiro estágio como devemos. Ó Senhor de minha alma e Bem meu! Por que não quisestes que, determinando-se a amar-Vos — fazendo tudo o que pode para deixar o mundo e se dedicar ao amor de Deus —, a alma não gozasse logo a elevação a esse amor perfeito? Não me exprimo bem: tinha de falar e me queixar do fato de nós não a querermos; a cul-pa é toda nossa por não gozarmos logo de tamanha dignidade, pois, se che¬garmos a ter com perfeição esse verdadeiro amor de Deus, também obte¬remos todos os bens. Somos tão difíceis e demoramos tanto a nos entregar¬ de todo a Deus que, como Sua Majestade não deseja que gozemos coisa tão preciosa sem pagar um grande preço, nunca acabamos de nos dispor.


Maravilhando-se na agilidade de um bom pincel, sob a eficácia da guia Frei Ivo, pintemos as maravilhas da misericórdia de nosso bom Deus na tela de nossa vida, preparando a chegada do Menino Deus no seu Natal...

 

        Se nós olharmos para o mundo e a sociedade em que vivemos, percebemos que um dos valores que estamos perdendo é o valor da capacidade de se maravilhar.
        Nos materializamos a tal ponto, que já não conseguimos mais nos encantar com tantas e tantas maravilhas que acontecem  no dia a dia de nossas vidas.

 

 


        Nos materializamos tanto, que olhamos para as coisas e perdemos a capacidade de contemplar e quem não é capaz de contemplar, nunca vai conseguir sentir a alegria de se maravilhar.
        Nos materializamos de tal modo,  que queremos explicar todas as coisas, para entender tudo o que a vida nos apresenta e com isso deixamos de entender que existem coisas que não são feitas para serem entendidas ou explicadas, mas sim, coisas que existem para serem contempladas.

 

 

        Nos materializamos de tal maneira, que na maioria das vezes, o único que nos atrai e fascina é o grandioso, o fantástico e não nos damos conta do mistério que nos envolve nas pequeninas coisas de nossas vidas.

 

 

        Nos materializamos de tal forma, que em tantas oportunidades,  perdemos a capacidade de sermos crianças que são capazes de exclamar extasiadas diante do belo que lhes é apresentado.

 


      

 Nos materializamos de tal modo,  que acabamos por perder aquela “inocência” de uma criança que encantada, grita maravilhada, pelo presente que recebeu e que, ainda abrindo o pacote no qual está envolvido o presente, sem saber o que lá se encontra, já vive a alegria do mistério do desconhecido.

 

 

        Nos materializamos de tal maneira, que muitas vezes, acabamos por perder a sensibilidade e sem esta sensibilidade acabamos por rotinizar a vida, não sentindo nem a alegria do belo que tantas vezes nos acontece e nem a dor pelo sofrimento tantas vezes marcando a nossa existência.

 

 

        Teresa de Jesus, no texto acima colocado, nos mostra como ela desenvolveu esta linda arte de saber se maravilhar com a Misericórdia de Deus em sua vida e em tudo o que fazia parte desta vida. Diz ela “sinto prazer só em pensar em tudo aquilo que o Senhor me proporciona. Mesmo que, por vezes, tenhamos tantas resistências em nos entregarmos a Ele, é uma honra e uma dignidade  tão grande para mim,  sentir este amor do Senhor.”
        

 

 


Maravilhar-se com a misericórdia!
        Não será este um convite para vivermos o Natal deste ano?
        Maravilhar-se com a misericórdia de um Deus que se faz carne, humano.
        Maravilhar-se com a misericórdia de um Deus grandeza que nasce na pobreza de uma estrebaria!
        Maravilhar-se com a misericórdia de um Deus sumamente puro, que nasce no meio da sujeira!
        Maravilhar-se com a misericórdia de um Deus onipotente, que nasce na fragilidade de uma criança!
        

 

 

Maravilhar-se com a misericórdia.
        É um convite para tomarmos consciência que um mistério não é para ser entendido, mas, sim, contemplado!
        Neste Natal, pegue o “pincel” e “pinte um lindo presépio” onde você possa contemplar o mistério de um Deus que quis nascer no meio de nós, na simplicidade e na beleza de uma pequena criança”
        E, contemplando esta “pintura” deixe-se maravilhar por toda esta misericórdia!

 

 

Frei Ivo Bortoluz OCD

 


                                                                    Vamos rezar com as Irmãs...
 

                                                                         

Ó Santa Teresa caminhai conosco 
para daí seguirmos contigo...

“Falando agora dos que começam a ser servos do amor (que não me parece outra coisa além de nos decidirmos a seguir por esse caminho de oração Aquele que tanto nos amou),
considero uma dignidade tão grande que sinto enorme prazer só de pensar nela;
porque o temor servil logo desaparece se passamos
por esse primeiro estágio como devemos.
Ó Senhor de minha alma e Bem meu!”
Ó Senhor de minha alma e Bem meu! Assim que rezamos
com nossa Santa Teresa e confiamos que acendendo
o Vosso Amor e Misericórdia em nós, caminhemos
com alegria as vias da oração. Dá-nos Senhor amar,
compreender e viver o diálogo de amizade a que somos
chamados por sermos vossos filhos;
celebrando com fé e esperança
o grande mistério do Natal – do Deus Conosco. Amém