Nossa Senhora da Assunção e São José


37- HUMILDADE:  JEITO BONITO DE ACOLHER A MISERICÓRDIA!

Livro da Vida 10, 9

 

9- Por mais clara que eu tente ser falando das coisas de oração, tudo será bem obscuro para quem não tiver experiência. Falarei de alguns impedimentos que no meu entender impedem o progresso nesse caminho, bem como de coisas em que há perigo, daquilo que o Senhor me ensinou por experiência e do que aprendi discutindo com grandes mestres e pessoas que há muito se dedicam às coisas do espírito. Todos estes reconhecem que, nos vinte e sete anos em que me dedico à oração, Sua Majestade me deu a experiência — apesar dos meus tantos tropeços e de eu ter trilhado tão mal esse caminho — que outros conseguiram em trinta e sete ou quarenta e sete anos, sempre na penitência e na virtude.
Bendito sejais por tudo! E, por quem sois, Senhor, servi-vos de mim, pois bem sabeis que não pretendo outra coisa senão que sejais louvado e engrandecido um pouco por haverdes plantado um jardim de flores tão suaves num pântano tão sujo e malcheiroso. Queira Sua Majestade que eu, pela minha culpa, não volte a arrancá-las nem torne a ser o que era. Suplico a vossa mercê que, pelo amor do Senhor, peça-Lhe isso, pois sabeis quem sou com mais clareza do que me permitistes dizer aqui.

 


Confiantes e animados, pincel na mão, sempre na companhia do Frei Ivo, mãos à obras, obra de vida e vida em abundância...

 

Teresa de Jesus, com sua habitual franqueza e transparência, diz o quanto Deus tem sido bom para com ela, na sua caminhada de oração. De um modo muito simples e transparente, chega até a se comparar com outras pessoas e afirma que Deus foi muito misericordioso para com ela.
            E no meio dessa franqueza e transparência, Teresa louva o Senhor por Ele “ter plantado um jardim de flores tão suaves, num pântano tão sujo e mal cheiroso.”

 


 

 

            Olhe bem que jeito lindo que Teresa tem para acolher a misericórdia de Deus para com ela. Com franqueza e transparência, ela relata o que o Senhor realiza  com sua pessoa e com toda a humildade, Teresa acolhe a misericórdia de Deus em sua vida.
    
        


 

 

Nosso Papa Francisco, comentando a parábola do Fariseu e do publicano nos diz que:
“Nesta parábola Jesus nos ensina qual é a atitude certa para rezar e pedir a misericórdia do Pai. Os dois vão ao templo para orar, mas comportam-se de maneiras diferentes
e os resultados que eles alcançam também são totalmente diferentes.”
            Francisco acrescenta: “O fariseu, mais do que rezar, fica cheio de si, orgulhoso
com a sua observância dos mandamentos. Mas a sua atitude e as suas palavras
estão longe do modo de agir e de falar de Deus, que ama e não despreza os pecadores.
            

 

 

 

A atitude do publicano, diz Francisco, “é a atitude certa. Os seus gestos de contrição
e as poucas e simples palavras que diz – “ó Deus tem piedade de mim que sou pecador”
– dão testemunho de sua condição miserável. A sua oração é essencial.
Comporta-se humildemente, certo de ser apenas um pecador necessitado de compaixão.”
            

 

 


E veja o que acrescenta o Papa, “se o fariseu não pede nada porque já tinha tudo,
o publicano só pode mendigar a misericórdia de Deus. Apresentando-se de mãos vazias,
com o coração despido e reconhecendo-se pecador, o publicano mostra a todos nós
a condição necessária para receber o perdão do Senhor. Não basta, portanto,
questionarmo-nos quanto rezamos. Devemos também perguntarmo-nos como rezamos,
ou melhor, como está o nosso coração.
É fundamental examinar o nosso coração para valorizar os pensamentos,
os sentimentos e expulsar para fora de nosso coração
todo tipo de arrogância e hipocrisia.”


            

 

Teresa e Francisco nos fazem refletir seriamente sobre o jeito
com que vivemos a nossa oração, a nossa fé e a nossa religião.
            Teresa e Francisco nos questionam seriamente sobre o modo com que rezamos
e o modo com que nos comportamos neste relacionamento com Deus através da oração.
            

 

 


Teresa e Francisco fazem com que a gente se pergunte com toda a sinceridade:
“será que minha oração é feita com a humildade de alguém que se sente pequeno,
pobre, pecador, miserável?” Ou, de repente, rezamos achando que nossa oração
é uma “poupança” que colocamos nas mãos de Deus para que Ele nos recompense
por tudo aquilo que fazemos dentro do nosso viver religioso e do nosso professar a fé.

 

 


            

 

Como é linda a pessoa humilde que sempre se sente indigna do amor misericordioso de Deus! 
Como é linda a pessoa que tem consciência de que ela não mereceria ser atendida
em suas preces por Deus, mas também tem a certeza de que Deus a atende
não porque ela mereça, e sim, porque Deus é infinitude em misericórdia.
    

 

 

 

Pegue em suas mãos o “pincel” e retrate no “quadro de sua vida”
esta impressionante figura de um Deus que está acolhendo,
amando e abraçando uma pessoa totalmente pequena, pobre, pecadora e miserável!
            Olhe bem para esta pintura. Olhe bem para a pessoa abraçada por Deus.
E sinta a alegria de ver que esta pessoa abraçada por Deus é você!

 

Frei Ivo Bortoluz OCD

 


                                                                    Vamos rezar com as Irmãs...
 

                                                                         

Ó Santa Teresa caminhai conosco 
para daí seguirmos contigo...

Senhor demorando os olhos do coração e da mente nas verdades de Teresa
e na franqueza e transparência com que elas são trazidas para nossa realidade,
somos atraídos a trilhar este mesmo caminho, encontrando o verdadeiro espírito
que deve reger e mover nossa caminhada de oração, num diálogo pleno
de busca da misericórdia de Deus. Auxiliai-nos Senhor, a buscar acima de tudo
a Vossa bondade, a Vossa Graça, que supera todo tesouro e livra-nos de todo erro. Amém.