Nossa Senhora da Assunção e São José


27- O SOFRIMENTO DA INFIDELIDADE.

Livro da Vida 9, 7-8

 

7. Por este tempo, deram-me as «Confissões» de Santo Agostinho. Parece que o Senhor assim o ordenou, porque eu não as procurei nem nunca as tinha visto. Sou muito afeiçoada a Santo Agostinho, porque o mosteiro onde estive de secular era da sua Ordem; e também por ter sido pecador. Nos Santos que, depois de o terem sido, o Senhor voltou para Si, achava eu muito consolo, parecendo-me que neles havia de encontrar ajuda; e assim como o Senhor lhes havia perdoado, podia fazer a mim.

Uma coisa me desconsolava, como disse; a eles, o Senhor só uma vez havia chamado e não voltavam a cair; a mim eram já tantas, que isto me afligia. Mas pensando no amor que me tinha, tornava a animar-me, pois da Sua misericórdia jamais desconfiei; de mim, muitas vezes.

8: Oh! valha-me Deus, como me espanta a dureza da minha alma, apesar de ter tido tantas ajudas de Deus! Faz-me andar temerosa ao ver o pouco que eu podia e quão atada me via para não me determinar a dar-me de todo a Deus.

Quando comecei a ler as «Confissões» , parecia-me ver-me eu ali. Comecei a encomendar-me muito a este glorioso Santo. Quando cheguei à sua conversão e li como ouviu aquela voz no jardim, não me parecia senão que o Senhor me falava a mim; de tal modo o sentiu o meu coração. Estive um grande bocado que toda me desfazia em lágrimas, e dentro de mim mesma com grande aflição e fadiga.

Oh! o que sofre uma alma, valha-me Deus, por perder a liberdade que havia de ter de ser senhora, e que tormentos padece! Eu me admiro agora como podia viverem tanto tormento. Seja Deus louvado, que me deu vida para sair de morte tão mortal!

 

Fiéis e com confiança
Trilhemos o caminho
a pintar na companhia
do Frei Ivo com um bom
pincel, respondendo
                          ao desafio da fidelidade.

 

Teresa de Jesus nos diz que olhando para Santo Agostinho e percebendo a grande fraqueza que nela existia e que a impedia de se entregar totalmente a Deus, de uma forma magistral e emocionante, ela assim se expressa: “Senti ser o Senhor quem me falava. Senti tamanha dor no meu coração, que passei muito tempo chorando, com grande aflição e sofrimento.”

              

É impressionante como Teresa abre seu coração para manifestar o seu sofrimento por não conseguir ser fiel ao amor que Deus tem para com ela.

Impressiona de se ver como Teresa sofre por não conseguir se entregar totalmente ao amor do Amado.

E é lindo quando ela diz: “Como sofre uma alma, por perder a liberdade de ser senhora de si mesma. Quantos tormentos padece.”

Quem de nós já não passou por esta experiência de ser infiel no amor para com o Amado e, de repente, no meio da sujeira do pecado, sentir a dor e o sofrimento por ter caído nesta infidelidade.

              

Não é a dor da humilhação, perante os outros, que se tem que enfrentar por ter caído. Não. Por mais difícil que seja esta dor da humilhação diante dos outros, a gente consegue, com humildade, superar a este tipo de sofrimento.

Mas o que dói mais profundamente, o que fere mais o nosso íntimo, o que mais nos machuca é de se sentir que “magoamos” Aquele que nunca nos magoa. Ferimos Aquele que sempre nos perdoa. Machucamos Aquele que nunca deixa de nos amar.

Como dói este tipo de sofrimento provocado pela nossa infidelidade.

É uma dor que parece “rasgar” as nossas entranhas.

É uma dor que parece não ter mais solução.

É uma dor que nos tira totalmente a paz e nos mergulha num vazio e numa angústia terríveis.

É uma dor que faz com que nos sintamos tão pequenos e tão envergonhados, por não termos tido a coragem de ser donos de nós mesmos. Na verdade, creio que esta dor, é a pior da dores.

Sofrer por ver que jogamos fora a felicidade do amor. Sofrer por ver que não tivemos a força necessária para saber resistir a tentação.

                    

Nestes momentos em que passamos por este tipo de sofrimento, precisamos olhar para Ele e sentir que Ele continua nos olhando, mesmo que não merecêssemos ser olhados e amados por Ele.

Deixarmos que Ele nos olhe com misericórdia. Reerguer-nos do meio da sujeira. E com decisão voltarmos para Ele.

Deixarmo-nos abraçar por Ele.

                             

E, junto com esta confiança na Sua misericórdia, comprometermo-nos de recomeçar a caminhada, renovando com sinceridade, o nosso compromisso de fidelidade.

                      

Escutando Teresa que lhe diz: “agora é hora de caminhar”, pegue o pincel da humildade e retrate no quadro de sua vida, a imagem de alguém que, mesmo sofrendo a dor da infidelidade, é capaz de deixar-se amar por Aquele que nunca é infiel no amor que tem para com você.

                             

 

Frei Ivo Bortoluz OCD

 


                                                                    Vamos rezar com as Irmãs...
 

                                                                         

Ó Santa Teresa caminhai conosco para daí seguirmos contigo...

Senhor ao iniciarmos o Ano Santo da Misericórdia, as palavras de Teresa: “Considerando o amor que Ele tinha por mim, eu me reanimava, pois da Sua misericórdia jamais duvidei”, vem iluminar e nos animar a tomar este luzeiro nas mãos para caminhar na larga estrada da Misericórdia de Deus, sem nos perder.

E não permitindo que ninguém que se aproxime de nós, não recolha da ternura que brota do Vosso Coração Misericordioso.

Amém.