Nossa Senhora da Assunção e São José


14- Pintando nossa vida com Teresa ... CUIDADO COM A MUNDANIDADE!

Livro da Vida 7,22

Com Teresa Reconhecer... Experimentar... Escrever... o Livro da minha Vida

4. Ficou-me o desejo da solidão; amiga de tratar e falar de Deus que, se eu encontrava com quem, mais contento e recreação me dava que toda a delicadeza -ou grosseria, para melhor dizer - da conversação do mundo. Comungar e confessar-me muito mais amiúde e desejá-lo; amicíssima de ler bons livros; um grandíssimo arrependimento em ter ofendido a Deus que, muitas vezes me recordo não ousava ter oração porque temia - como a um grande castigo - a grandíssima pena que havia de sentir de O ter ofendido. Isto foi-me depois crescendo em tal extremo, que não sei a que compare este tormento. E jamais foi -nem pouco nem muito - por temor; mas, como me lembrava dos regalos que o Senhor me fazia na oração e o muito que Lhe devia e via quão mal Lho pagava, não o podia sofrer. Enojava-me em extremo das muitas lágrimas que pela culpa chorava, quando via a minha pouca emenda, pois nem bastavam determinações nem a mágoa em que me via, para não voltar a cair quando me punha na ocasião. Pareciam-me ser lágrimas enganosas e parecia-me ser depois maior a culpa, porque via a grande mercê que me fazia o Senhor em mas dar com tão grande arrependimento. Procurava confessar-me dentre em breve e, a meu parecer, fazia da minha parte o que podia para voltar a estar em graça.

Todo o mal vinha de eu não cortar pela raiz as ocasiões e nos confessores que pouco me ajudavam; dizendo-me o perigo em que andava e a obrigação que tinha em não ter aqueles tratos, creio, sem dúvida, que tudo se remediaria; porque de nenhum modo sofreria andar em pecado mortal um só dia, se eu o entendesse.

Todos estes sinais de temor de Deus me vieram com a oração e o maior era o ir envolvido em amor, porque não se me punha diante o castigo. Todo o tempo que estive tão mal me durou a muita guarda de consciência quanto a pecados mortais. Oh! valha-me Deus; desejava saúde para mais O servir e foi causa de todo o meu mal!

 


Obrigado Frei Ivo com a guia do teu pincel unes hoje o Papa Francisco e a atualidade de suas palavras às palavras e testemunho de Santa Teresa.
Obrigado Frei por seres nosso guia e amigo na pintura de nossa vida..

 

Uma das palavras que o Papa Francisco constantemente repete em seus pronunciamentos é “mundanidade.” Ele pede a todos - cardeais, bispos, padres, consagrados, leigos - para termos todo o cuidado a fim de não cedermos a esta tentação da “mundanidade.”

Olhe o que nos diz Teresa de Jesus, no texto acima colocado: “ Porque as coisas do serviço de Deus já andam tão fracas que é necessário, aos que O servem, apoiarem-se mutuamente para irem em frente, tal é a fama de bondade dos divertimentos e vaidades mundanos.”

São 500 anos de distância entre Teresa e Francisco.

No entanto, os dois se tornam tão próximos, ao manifestarem esta preocupação com a “mundanidade.”

Por vezes, até tentamos nos justificar para agirmos dentro desta “mundanidade” que acontece em diferentes níveis e campos da vida. Por vezes, até acabamos encontrando certa felicidade agindo dentro desta “mundanidade”.

Ouça o que nos diz o Papa Francisco:

“A corrupção dá alguma felicidade, dá poder e faz você se sentir satisfeito de si mesmo. Mas não deixa espaço para o Senhor, para a conversão. Esta palavra “corrupção” hoje nos diz muito: não só corrupção econômica, mas corrupção com muitos pecados. A pior corrupção é o espírito de “mundanidade”.

 

                                         

Esta “cultura corrupta” faz com que nos sintamos aqui, como se estivéssemos no Paraíso: plenos, abundantes”, mas “ por dentro essa cultura corrupta é uma cultura podre.

Ainda hoje existem “cristãos pagãos” que se comportam como inimigos da Cruz de Cristo. Precisamos evitar as tentações da “mundanidade” que levam à ruína. São cristãos que vão à Missa aos domingos, louvam o Senhor, chamam-se cristãos, mas na verdade, são cristãos pagãos, mundanos. Fazem duas ou três coisas cristãs e nada mais. São pagãos, com nome cristão, mas vida pagã, ou seja, pagãos com duas pinceladas de verniz cristã, para parecerem cristãos.

Temos que ter todo o cuidado para não entrarmos nesse caminho. A tentação de nos acostumarmos com a mediocridade é uma ruína, porque o coração vai amornando. E aos mornos , o Senhor diz uma palavra forte: “Você é morno e eu estou a ponto de vomitá-lo pela minha boca.”

“A “mundanidade” faz com que se tome o nome de cristãos, mas não se siga as exigências da vida cristã.”

Até aqui é Francisco que fala e aqui, é fundamental que você se pergunte:

Com sua vida, o que você procura? O poder? A glória? O aplauso? A fama?

Se você procura tudo isso, cuidado, pois você está caindo nesta “mundanidade” que só esvazia. E a vida está repleta de exemplos que nos comprovam isso, não é mesmo? Escutando Teresa e Francisco,

 
                                          


pegue o “pincel” da simplicidade e da verdade, e faça de sua vida um lindo “quadro” que retrate a verdade e a alegria de servir por amor.

 

Frei Ivo Bortoluz OCD

 


                                                                    Vamos rezar com as Irmãs...
 

                                                                         

Ó Santa Teresa caminhai conosco para daí
seguirmos contigo...

Dá-nos Senhor que atentos a nós mesmos em nossas buscas e motivações, com simplicidade e verdade sejamos capazes de romper com toda sede de poder e glória.

Que servindo ao próximo no amor e na confiança de que o olhar e o amor de Deus nos acompanham sempre e a Ele devemos nossa vida, paz e todo bem.

Amém