Nossa Senhora da Assunção e São José


10 - Pintando nossa vida com Teresa... SABER CONSTRUIR O MEU CAMINHO

Livro da Vida 4,7c-8

 

Eu buscava com todas as forças manter dentro de mim Jesus Cristo, nos­so bem e Senhor, sendo esse o meu modo de oração. Se me ocorria al­gum passo da Paixão, eu o representava no meu íntimo; mas a maior parte do tempo eu dedicava a ler bons livros, sendo essa toda a minha recrea­ção. Não recebi de Deus o dom de orar discursivamente nem de aproveitar a imaginação — é tão fraca a minha que, mesmo para pensar e representar para mim, como tentava fazer, a humanidade do Senhor, nunca consegui. É verdade que, não podendo usar o intelecto, quem persevera chega mais depressa à contemplação, mas com muitos sofrimentos e aflições. Se não há o em­prego da vontade, nem o amor tem com que se ocupar, a alma fica sem apoio e sem exercício; a solidão que sobrevém, acompanhada de aridez, é cau­sa de grande sofrimento e instala um enorme combate aos pensamentos.

8. Quem não consegue agir com o intelecto precisa de mais pureza de consciência do que quem o faz. De fato, quem medita sobre o que é o mundo, sobre o quanto deve a Deus, os muitos sofrimentos de Cristo, o pouco que rea­liza a seu serviço e o que o Senhor concede a quem o ama tem como de­fender-se dos pensamentos, das ocasiões e dos perigos. Porém, quem não pode tirar proveito disso se expõe a maior risco e precisa se ocupar muito da leitura, pois por si mesmo não consegue fazer boas reflexões; esse modo de pro­ceder na oração causa muito sofrimento a essas pessoas. Por mais curta que seja, a leitura tem utilidade para elas e é até necessária para que se re­colham; ela supre a oração mental que elas não conseguem fazer. Se o mes­tre que ensina insistir que a oração seja sem leitura (sendo a leitura uma grande ajuda para que essas pessoas se recolham), pessoas assim não conseguem perseverar muito tempo na oração. E, se lutarem, elas sentirão um en­­­fraquecimento, porque o combate é muito penoso.

 


Vamos tomar nosso pincel nas mãos, na companhia de Frei Ivo, vamos traçar novas linhas para nossa caminhada ...

 

Um grande teólogo brasileiro nos diz: “Para mim, rezar é como respirar. No dia em que vocês souberem que eu não estou rezando mais, é porque eu morri, isto é, deixei de respirar.” Teresa nos diz: “Eu buscava com todas as forças manter dentro de mim Jesus Cristo, nos­so bem e Senhor, sendo esse o meu modo de oração.”

Para Teresa, andar com Jesus, não era “usar de um cosmético” para ficar bonita por uns momentos. Não. Para Teresa, andar com Jesus, era “sentir correr no sangue” a certeza de um amor que dava sentido para seu viver, fosse esse viver na alegria ou no sofrimento.

Os textos que acabamos de ver (Vida, 47c-8) nos mostram algo de tão bonito e de tão criativo, na concepção de Teresa sobre a sua vida de oração e a sua intimidade com Deus. Isso que Teresa nos diz, mostra que Teresa se aconselha, busca ajuda, procura orientação, mas acima de tudo, ela tem a criatividade de fazer a sua caminhada, do seu jeito e do seu modo, construindo o seu caminho.

Me parece que isso é de uma importância fundamental na nossa caminhada também.

 



É muito importante buscarmos ajuda, buscarmos orientação, buscarmos uma direção espiritual. Tudo isso é importante, mas não é o essencial.

Eu preciso de tudo isso como “ferramenta”. Mas precisamos ter bem presente de que, “ferramenta” é para me ajudar, afim de que eu possa construir o meu caminho, não apenas copiando o caminho de outros que me antecederam nesta experiência de oração e de intimidade com Deus.

É interessante de se ver que quando os discípulos perguntam a Jesus: “Onde moras?” Jesus não responde dizendo: “Olhem, venham comigo e lá vocês verão os métodos que eu uso, as técnicas que eu prático para me relacionar com o Pai e para revelar o amor do Pai ao mundo.” Não. Jesus simplesmente diz: “Vinde e vede.”

E os discípulos foram, viram e se apaixonaram por este jeito de vida e se tornaram discípulos deste jeito de viver, mas cada um de seu jeito, de seu modo, de sua maneira.

No seguimento de Jesus e numa vida de oração, claro que os métodos que já existem são importantes. Porém, os métodos são importante como inspiração. A partir deles é que eu vou construir o meu caminho de oração e de intimidade com Deus.

Eu posso saber a vida de todos os santos... Eu posso conhecer os inúmeros métodos de oração que grandes santos e santas me deixaram... Mas eu não posso ficar parado neles. A partir deles, eu preciso descobrir, ter a criatividade, de que jeito eu posso fazer a mesma coisa que eles fizeram, mas do meu jeito, do meu modo, da minha maneira.

O Papa Francisco nos diz: “Ter criatividade, não é apenas fazer coisas novas, mas sim, ter criatividade é a gente se perguntar de que modo eu posso comunicar melhor Jesus Cristo.”

Tem gente que sabe todos os métodos de oração e que até “pratica” estes métodos, mas que nunca conseguiu fazer uma autêntica experiência de Deus em suas vidas. E quando isso acontece, acabamos realizando muitos ritos, mas que não trazem nada de vida nova dentro de nós. Ritos que por vezes faz com que acabemos seguindo a Jesus de um jeito bem falho, pois seguimos a Jesus com um jeito bem ranzinza, mal humorados, que não sabem cativar e nem atrair, simplesmente por que este jeito de viver a oração e a experiência com Deus, não é um jeito vital que me faz ter uma vida nova, uma vida alegre, uma vida feliz, mesmo naqueles momentos que são tremendamente difíceis de serem enfrentados.

Quem sabe, olhe um pouco mais para nossa querida Teresa, e veja o modo criativo com que ela se comunicava com Deus, construindo e fazendo este caminho, do seu jeito, do seu modo.

E olhando para nossa querida Santa, torne-se este “pincel” que deixe Deus ir agindo em você, para que com seu modo de orar e de experimentar a Deus, você faça de sua vida e do seu viver um lindo, “quadro de amor” que seja atraente e apaixonante para muita gente.“

 

Frei Ivo Bortoluz OCD

 


                                                                    Vamos rezar com as Irmãs...