Nossa Senhora da Assunção e São José


4 - Pintando nossa vida com Teresa ... MEDO OU TEMOR

Livro da Vida 2, 7-8

 

7. Era tão grande o amor de meu pai por mim, e tanta a minha dissimulação, que ele não acreditava que eu fosse tão má, razão por que não perdeu a confiança em mim. Como o período dessas minhas leviandades foi curto, embora alguma coisa tivesse sido percebida, nada se podia dizer com certeza; com o grande cuidado que eu tinha para que nada se soubesse, visto que temia tanto pela minha honra, eu não via que não podia ocultar algo de quem tudo vê. Ó Deus! Que mal faz ao mundo não se levar isso em conta e pensar que alguma coisa contra Vós possa ser secreta! Estou certa de que muitos males seriam evitados se soubéssemos que o importante não é nos ocultar dos homens, mas evitar descontentar a Vós.

8. Os primeiros oito dias foram dolorosos, e mais por eu temer que minha vaidade tivesse sido divulgada do que por estar ali. Na época, eu já estava cansada e passara a temer muito a Deus quando o ofendia, procurando confessar-me tão logo pudesse. Isso me causava tanto desassossego que, depois de oito dias no mosteiro, talvez antes, eu estava muito mais feliz que na casa de meu pai. Todas estavam satisfeitas comigo, pois o Senhor me concedeu a graça de agradar a todos onde quer que eu estivesse, sendo assim muito querida. Naquele tempo, desgostava-me a idéia de tornar-me monja; apesar disso, eu apreciava ver as boas religiosas daquela casa, muito honestas, fervorosas e recatadas. E, no entanto, isso não impedia o demônio de me tentar nem as pessoas de fora de me desassossegar com recados. Como, porém, eu os desencorajasse, breve tudo teve fim. Minha alma reencontrou o bem de minha meninice, e vi o grande favor que Deus concede a quem põe em companhia dos bons. Creio que Ele buscava incessantemente a melhor maneira de me trazer a Si. Bendito sejais, Senhor, que tanto sofrestes por mim! Amém.

 


Seguimos a pintura da nossa vida... na companhia do Frei Ivo!

 

Nestes dois números do segundo capítulo do Livro da Vida, Teresa nos oferece a oportunidade para conversarmos um pouco sobre algo que, de uma ou de outra maneira, marca presença na vida das pessoas.

Teresa nos diz que fazia algumas coisas, às escondidas, achando que ninguém veria e que ninguém chegaria a saber o que ela tinha feito. E ela mesma, depois, acrescenta nos alertando e dizendo que o mundo perde muito quando agimos deste jeito, pois Deus tudo vê e nada existe de secreto que não venha um dia a ser revelado. E de um modo muito simples e muito humano, Teresa nos diz que muitos males seriam evitados, se nós tomássemos consciência de que o importante não é fazer as coisas ocultas aos olhos dos homens, mas sim, termos consciência de que Deus vê tudo.

Tudo isso que Teresa nos transmite, o podemos dizer com uma frase simples, mas tremendamente real: “A pior das mentiras, é aquela fazemos contra nós mesmos.”

Sim, agirmos fora da verdade, é corrermos o risco de pormos a perder tantas coisas boas e bonitas que poderíamos ter e transmitir para os outros. Agirmos fora da verdade, é sermos como o avestruz que, na hora do perigo, enterra a cabeça na terra e acha que está salvo, quando deixa a vista de todos o seu enorme corpo, para que o inimigo o apanhe.

Teresa de Jesus nos mostra que precisamos andar na verdade, não por medo de Deus, mas por temor a Ele.

Esse pedido de Teresa é de uma atualidade impressionante, pois em nossos dias, existem muitas, mas muitas pessoas mesmo, que vivem com medo de Deus. E, quando sentimos medo de Deus, precisamos nos perguntar qual é a imagem de Deus que carregamos dentro de nós? Se carregamos a imagem de um Deus vingativo, assustador, que sempre está nos vigiando, nos policiando, para ver quando erramos e aí nos dar o castigo; se carregamos esta imagem, então sim, tentaremos fazer sempre o bem e tentaremos sempre andar na verdade, mas sempre por sentirmos medo de Deus.

Teresa de Jesus nos diz que nós precisamos sentir temor de Deus.

Sentir temor, é amarmos tanto a Deus, que procuramos fazer sempre o bem, andar sempre na verdade, não por medo de sermos castigados, mas porque não queremos magoar a este Deus que tanto nos ama.

Temor de Deus, é sabermos cuidar do amor, para nunca ferirmos o amado.

Temor de Deus, é andarmos sempre na verdade, não porque Deus está nos vigiando, mas porque Deus sempre está nos amando.

Temor de Deus, é sentirmos a alegria de podermos amar e de, tudo fazermos, para tornarmos o amado mais feliz.

Temor de Deus, é sentirmos a imensa e indescritível alegria de sabermos que Deus sempre está nos olhando com um amor infinitamente misericordioso. Não deixe a sujeira da falsidade sujar o “quadro de sua vida.”


Caminhe na verdade!

Seja nas mãos de Deus, este dócil “pincel”, para que Ele possa apresentar uma alegre e linda paisagem marcada pela beleza do temor e nunca ofuscada pela presença do medo.

Frei Ivo Bortoluz OCD

 


                                                                    Vamos rezar com as Irmãs...
 

                                                                         

Ó Santa Teresa caminhai conosco
para daí seguirmos contigo...

Dá-nos Senhor acolher esta verdade tão simples e forte que nos oferece neste dia:
“humildade que nos revela que nós nada somos, mas ao mesmo tempo, uma humildade que nos mostra o quanto nós somos importantes por sermos amados misericordiosamente por Deus”.


Eis a grande consolação que pedimos, para viver a exemplo de Santa Teresa, a correspondência ao Teu Amor.

Amém.