Nossa Senhora da Assunção e São José


Tito Brandsma, Carmelita

 

Tito Brandsma foi um padre carmelita, professor uni­versitário, escritor, ecumenista, respeitado conferencis­ta e jornalista na Holanda.

Foi preso em 19 de Janeiro de 1942 por falar contra o regime nazista e trabalhar para alinhar os jornais católicos do país com os ensinamentos da Igreja sobre o nazis­mo.

Na época, o regime nazista ocupava a Holanda, terra natal do frei Tito, e tentava alinhar seu povo com o dogma nazista. Brandsma foi finalmente morto no campo de concentração de Dachau em 26 de julho de 1942.

“Esta é uma notícia que esperáramos há muito tempo e que vem como resultado do reconhecimento da Igreja da santidade e testemunho de Tito Brandsma”, disse o Padre Míceál O'Neíll, O. Carm., Prior-geral da Ordem Carmelita. “É significativo que tenhamos esta celebração em um momento em que a verdade e a integridade estão sofrendo seriamente nos grandes conflitos que agora ameaçam a paz do mundo”.

Como professor, conferencista e jornalista, Brands­ma era bem conhecido na Holanda e tinha-se manifestado contra a filosofia nazista nas suas aulas e discur­sos, antes e durante a Segunda Guerra Mundial.

Como assistente eclesiástico da União de Jornalistas Católicos, visitou editoras católicas, em todo o país, em nome dos bispos católicos para os incentivar a permanecerem firmes contra a impressão de propaganda na­zista.

Como presidente da União das Escolas Católicas, trabalhou para derrubar a exigência nazista de expulsar as crianças judias das escolas. Ignorou os regulamentos nas escolas carmelitas. Protestou ainda, quando o governo cortou os salários dos professores em 40%.

As suas opiniões sobre o nazismo eram bem conhecidas na Holanda e dentro do establishment nazista. Foi apelidado de “o pequeno papagaio-do-mar perigoso”.

Para os Jornalistas católicos, tornou-se um modelo de vocação jornalística, convicção ética e compromisso com a verdade. Por isso, cm 1988, a União Católica In­ternacional de Jornalistas (UCIP) criou o Prêmio Tito Brandsma, que é concedido, a cada três anos, a jornalistas ou organizações que se destacam pelo compromisso com o valor da busca da verdade.

Brandsma recebeu vários prêmios ao longo de sua vi­da, incluindo o título de Reitor Magnífico da Universidade Católica de Níjmegen e a “Ordem do Leão Ho­landês” da Rainha Wilhelmina, pelos seus ministérios altruístas.

Recebeu também muitos testemunhos, após sua morte, de pessoas de todas as religiões. Todos refletem que Brandsma manteve a esperança entre pessoas de todas as religiões, mesmo nas horas mais sombrias dos campos de concentrado.

Entre os muitos testemunhos poderosos da exemplaridade cristã de Brandsma nos campos está o de um pastor protestante: Posso atestar que Tito Brandsma era um filho de Deus pela graça de Jesus Cristo.

Outros falaram de um respeito e afeição geral por Brandsma pela sua maneira descontraída e amigável. “Ele não conhecia ódio nem aversão, nem impaciência nem aspereza».

O processo diocesano de beatificação e canonização de Tito Brandsma começou na diocese de Den Bosch, na Holanda, cm 1952: foi o primeiro processo sobre um suposto mártir do nacional-socialismo. Em 3 de novembro de 1985, São João Paulo II beatificou o padre Tito Brandsma como mártir da fé.

Em julho de 2016, iniciou-se na Diocese de Palm Beach (Flórida) uma investigação diocesana sobre um suposto milagre atribuído á intercessão do Beato, a sa­ber, a recuperação de um melanoma maligno metastático nos gânglios linfáticos do Padre Michael Driscoll, O. Carm.

Em novembro de 2020, o Conselho Médico, nomeado pela Congregação para as Causas dos Santos, reconheceu a inexplicabilidade científica da cura do câncer do padre Driscoll, que foi atribuída á intercessão do Beato Tito Brandsma.

Em 25 de maio de 2021, o Congresso de Consultores Teológicos reconheceu o milagre.

A mesma opinião foi expressa pelos Cardeais e Bis­pos na Sessão Ordinária de 9 de novembro de 2021.

Finalmente, em 25 de novembro de 2021, o Papa Francisco autorizou a Congregação para as Causas dos Santos a promulgar o decreto referente ao milagre atri­buído á intercessão do Beato Tito Brandsma, abrindo caminho para sua canonização.

Em 4 de março de 2022, durante o Consistório Ordi­nário Público, o Papa Francisco confirmou a opinião dos Cardeais e Bispos e anunciou a data de sua canonização.

(Fonte: L´Osservatore Romano)