Nossa Senhora da Assunção e São José


LOUVOR DE GLÓRIA

41. "Nele, predestinados pela decisão daquele que tudo opera segundo o conselho de sua vontade, fomos feitos sua herança, para sermos o louvor de sua glória"12.

É São Paulo que assim fala. São Paulo instruído pelo próprio Deus. Como realizar este grande sonho do coração de nosso Deus, este seu desejo imutável sobre de nossas almas, numa palavra, como corresponder à nossa vocação e nos tornar perfeitos louvores de glória da Santíssima Trindade?

 

 

42. No céu, cada alma é um louvor de glória ao Pai, ao Verbo e ao Espírito Santo, pois cada alma está fixada no amor puro, “não vivendo mais da sua própria vida, mas da vida de Deus”13. “Então, ela o conhece, afirma S. Paulo, como é conhecida por ele”14. Em outras palavras: “seu entendimento é o entendimento de Deus, sua vontade a vontade divina, seu amor o mesmo amor de Deus. O Espírito de amor e de fortaleza é quem transforma realmente a alma, pois tendo sido enviado para suprir nela tudo quanto lhe falta, como diz também São Paulo15, ele opera na alma esta gloriosa transformação”. São João da Cruz afirma que falta pouco para que a alma, assim entregue ao amor, não se eleve nesta vida pela virtude do Espírito Santo, ao grau de amor que estamos falando16. Eis o que eu chamo um perfeito louvor de glória”.

43. Um louvor de glória: é uma alma que permanece em Deus, que o ama com um amor puro e desinteressado, sem buscar-se a si mesmo na doçura desse amor; que o ama acima de todos os seus dons, e amaria ainda que nada tivesse dele recebido, e que deseja o bem ao Objeto assim amado. Ora, como desejar e querer, efetivamente algum bem a Deus, senão pelo cumprimento exato de sua vontade, uma vez que esta vontade encaminha todas as coisas para a sua maior glória? Portanto, esta alma deve se entregar a ele plena e inteiramente, até não conseguir mais querer outra coisa senão o que Deus quer.
Um louvor de glória: é uma alma de silêncio, que permanece como uma lira, sob o toque misterioso do Espírito Santo, que nela produz harmonias divinas. Ela sabe que o sofrimento é uma corda que produz sons mais belos ainda e por isso gosta de vê la no seu instrumento, para comover, mais ternamente, o coração de seu Deus.
Um louvor de glória: é uma alma que contempla a Deus, na fé e na simplicidade; é um reflexo do Ser de Deus. É como um abismo sem fundo, no qual ele pode derramar se, expandir se. É também como um cristal, através do qual Deus pode irradiar e contemplar todas as suas perfeições e o seu próprio resplendor17. Uma alma que permite, deste modo ao Ser divino satisfazer nela sua necessidade de comunicar tudo quanto ele é e tudo quanto possui18, é realmente o louvor de glória de todos os seus dons.
Enfim, um louvor de glória é um ser em contínua ação de graças. Cada um de seus atos e movimentos, cada um de seus pensamentos e de suas aspirações, fixam-na mais profundamente no amor e são como que um eco do “Sanctus” eterno.

 

 

 

44. No céu da glória, os bem-aventurados não cessam de repetir “dia e noite: ‘Santo, Santo, Santo, o Senhor todo-poderoso...’ E, prostrando-se, adoram aquele que vive pelos séculos dos séculos”19.
No céu de sua alma o louvor de glória começa, desde já, o ofício que há de exercer na eternidade. Seu cântico nunca se interrompe, porque ele age sempre sob o impulso do Espírito Santo, que tudo opera nele. E, ainda que ele nem sempre tenha consciência disso, pois a fraqueza da natureza não lhe permite fixar-se em Deus sem distrações, ele canta e adora constantemente, e transforma-se, por assim dizer, em louvor, em amor apaixonado pela glória de seu Deus. No céu de nossa alma sejamos louvores de glória da Santíssima Trindade, louvores de amor de nossa Mãe Imaculada. Chegará o dia em que o véu cairá e seremos introduzidos nas átrios eternos e lá cantaremos no seio do Amor infinito, e Deus nos dará o “nome novo, prometido ao vencedor”21. Qual será este nome?
Laudem gloriae

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