Nossa Senhora da Assunção e São José


Santa Teresa de Jesus

Virgem de nossa Ordem, Doutora da Igreja, nossa mãe

Teresa Sanchez de Cepeda y Ahumada nasceu em Ávila, Castela, em 28 de março de 1515. Era a terceira do casal Alonso Sanchez de Cepeda e Beatriz de Ahumada. Aos 9 anos de idade, ouvindo a leitura dos santos, decidiu-se ir à terra dos mouros para ser “decapitada” por amor a Cristo. Depois da morte de sua mãe, quando Teresa tinha 14 anos, e do casamento de sua irmã mais velha, foi enviada para estudar com as freiras agostinianas de Ávila, mas saiu após dezoito meses por ter adoecido.

Durante alguns anos, ela permaneceu em companhia de seu pai e de outros parentes, principalmente de um tio que a apresentou as Cartas de São Jerônimo, que fizeram com que ela decidisse adotar a vida religiosa, não por ser atraída por ela, mas por um desejo de escolher um caminho seguro. Seu pai não lhe deu autorização e por isso ela fugiu de casa em novembro de 1535, para entrar no Convento Carmelita da Encarnação de Ávila, que então tinha mais ou menos 140 monjas.

No ano seguinte à sua profissão, ficou gravemente doente. Ela passou por tratamentos muito precários e teve uma recuperação parcial graças à intercessão de São José, mas sua saúde desde então ficou abalada. Durante esses anos de sofrimento começou a prática da oração mental, mas, temendo que suas conversas interiores não agradassem a Deus, ela parou até entrar em contato com Dominicanos e Jesuítas.

Neste período, Deus começou a visitá-la em visões, manifestações nas quais os sentidos exteriores não são afetados, pois as coisas vistas e ouvidas são impressas diretamente na mente. Nessas conversas, Ele deu a Teresa força, reprimiu-a por sua falta de fé e a consolou nas tribulações. Incapaz de conciliar essas graças com suas imperfeições, que ela encarava como faltas graves, ela recorreu não apenas aos melhores confessores da época como a leigos que, sem entender que ela exagerava no peso de seus pecados, acreditavam que essas manifestações eram trabalho do demônio. Quanto mais empenho ela demonstrava em resistir aos pecados, mais fortemente Deus trabalhava em sua alma. Toda a cidade de Ávila tomou conhecimentos das visões da monja. São Francisco Borja e São Pedro de Alcântara, e posteriormente Dominicanos (particularmente Pedro Ibañez e Domingos Bañez), Jesuítas e outros padres foram capazes de discernir o trabalho de Deus e guiaram-na em um caminho seguro.

Seus escritos espirituais contidos em "Livro da Vida", "Relações" e "Castelo Interior" formam uma das mais extraordinárias biografias espirituais, comparáveis apenas às "Confissões" de Santo Agostinho. Nesta época aconteceram manifestações extraordinárias como a transverberação de seu coração e o matrimônio místico. Uma visão do lugar destinado a ela no inferno fez com que  buscasse uma vida ainda mais perfeita. 
Depois de muitas dificuldades e oposições, em 24 de agosto de 1562, funda o convento das Carmelitas Descalças da Regra Primitiva de São José em Ávila e, seis meses mais tarde, consegue permissão para se mudar para lá. Quatro anos depois, recebe a visita do Geral dos Carmelitas, João Batista Rubeo, que não apenas aprovou o convento como ainda garantiu a fundação de outros conventos de frades e de monjas. Ela rapidamente instalou suas monjas em Medina del Campo (1567), Malagon e Valladolid (1568), Toledo e Pastrana (1569), Salamanca (1570), Alba de Tormes (1571), Segóvia (1574), Beas e Sevilha (1575), e Caravaca (1576). No "Livro das Fundações" ela conta a história desses conventos, quase todos criados apesar da violenta oposição.

Em toda parte ela encontrava almas generosas para abraçar as austeridades da regra primitiva do Carmelo. Com a ajuda de Antonio de Heredia, prior de Medina, e São João da Cruz, ela funda a primeira comunidade entre os frades em 28 de novembro de 1568, iniciando pelos conventos de Duruelo (1568), Pastrana (1569), Mancera, e Alcalá de Henares (1570).

Uma nova época começou com a entrada na religião de Padre Jerônimo Gracián, que recebeu do núncio a autorização de Visitador Apostólico das Monjas e frades Carmelitas. Esse jovem sacerdote, com brilhante carreira univer­sitária e exercitado na vida de oração, foi para Madre Teresa um regalo da Providência. “Se eu quisesse pedir muito a sua Majestade pessoa capaz de pôr em ordem todos os negócios da religião neste princípio, jamais atinaria a pedir tanto como sua Majestade nos deu no padre Gracián”. (Fundações 23,3)

Com o falecimento do núncio e a chegada de seu sucessor, uma tempestade se abateu sobre Santa Teresa e o seu trabalho, durando quatro anos e ameaçando aniquilar as fundações. Os incidentes desta perseguição são explicitados em suas cartas. As dificuldades finalmente passaram e a província dos Carmelitas Descalços, com o apoio de Felipe II, foi aprovada e canonicamente estabelecida em 22 de junho de 1580.

Santa Teresa, idosa e doente, fez mais fundações em Villanueva de la Jara e Palência (1580), Soria (1581), Granada (com sua assistente, a Venerável Ana de Jesus) e em Burgos (1582). Ela saiu de Burgos no final de julho e, parando em Valencia, Valladolid, e Medina del Campo, chegou em Alba de Tormes em setembro, sofrendo intensamente. Ficou logo acamada e faleceu em 4 de outubro de 1582. Depois de anos seu corpo foi transferido para Ávila, mas depois foi reconduzido para Alba. O seu coração, com as marcas da Transverberação, está exposto para veneração dos fiéis.

Foi beatificada em 24 de abril de 1614 pelo Papa Paulo V e canonizada a 12 de março de 1622 por Gregório XV, com comemoração em 15 de outubro. Em 27 de setembro de 1970, foi proclamada Doutora da Igreja pelo Papa Paulo VI, reconhecendo a grande importância da sua doutrina.

Escreveu obras importantes de espiritualidade, entre as quais se destacam: Livro da Vida, Caminho de Perfeição, Castelo interior ou Moradas e Fundações. Santa Teresa é uma figura amável, é uma profetisa da oração.

"A quantos tudo abandonam por amor de Deus, Ele se entrega totalmente."

"Quanto mais santas fordes, mais amáveis devereis mostrar-vos."

 “Que teu desejo seja ver Deus; teu temor, perdê-lo; tua dor, não possuí-lo; tua alegria, aquilo que te pode levar a Ele; e assim viverás em paz.”

“A oração não é mais que um íntimo relacionamento de amizade a sós com aquele de quem sabemos ser amados.”

“Por mais profunda que seja, a verdadeira humildade nunca inquieta, nem agita nem perturba a alma, mas inunda de paz, de suavidade e de repouso.”

“Deus distribui os seus bens como quer, sem fazer discriminação com ninguém.”