Nossa Senhora da Assunção e São José


Beata Elisabete da Trindade

Virgem de nossa Ordem

Essa preciosa flor do Carmelo, Elisabete, nasceu em 18 de julho de 1880, no Campo d’ Avor, perto de Bourges, na França. Filha de Francisco José Catez e Maria Rolland. Foi batizada em 22 de julho deste mesmo ano. Aos sete anos de idade perde seu pai, ficando só com sua mãe e sua irmã, Margarida, dois anos mais nova.

Aos 7 anos, Elisabete, havia dito a um padre amigo da família: “Eu serei monja, eu quero ser monja”.

Aos 14 anos sentiria o chamado interior do Mestre que a levaria a fazer o voto de virgindade. Morando nas proximidades do Carmelo, seu coração começou a sentir o desejo de lá estar; tinha então dezessete anos e sua mãe se opôs a tal desejo. Nesse período sua mãe não mais permitiu suas visitas ao Carmelo.

No dia dois de agosto de 1901 as portas do Carmelo se abriram e a feliz postulante começou a sua vida de carmelita, no silêncio e escondimento do Carmelo, compreendido por poucos. Elisabete tinha então 21 anos.

Verdadeiramente adoradora em espírito e verdade, entre penas interiores e doenças, viveu como “louvor de glória” da Santíssima Trindade presente na alma, encontrando no mistério da inabitação o seu “Céu na terra”, seu carisma e missão eclesial.

Essa jovem Carmelita que morreu aos vinte e seis anos, no dia 9 de novembro de 1906, é uma figura atualíssima porque num certo sentido encarna as grandes esperanças ou melhor as certezas do ser humano que sinceramente busca a Deus.

Foi beatificada por João Paulo II a 25 de novembro de 1984. 

Deixou-nos vários escritos que nos ajudam a ser na Igreja uma oração permanente. Entre eles está a “Elevação a SSma. Trindade” que expressa toda sua espiritualidade:

Ó meu Deus, Trindade que adoro, ajudai-me a esquecer-me inteiramente de mim mesma para fixar-me em vós, imóvel e pacífica, como se minha alma já estivesse na eternidade. Que nada possa perturbar-me a paz nem me fazer sair de vós, ó meu Imutável, mas que em cada minuto eu me adentre mais na profundidade de vosso Mistério. Pacificai minha alma, fazei dela o vosso céu, vossa morada preferida e o lugar de vosso repouso. Que eu jamais vos deixe só, mas que aí esteja toda inteira, totalmente desperta em minha fé, toda em adoração, entregue inteiramente à vossa Ação criadora.

Ó meu Cristo amado, crucificado por amor; quisera ser uma esposa para vosso Coração, quisera cobrir-vos de glória, amar-vos... até morrer de amor! Sinto, porém, minha impotência e peço-vos revestir-me de vós mesmo, identificar a minha alma com todos os movimentos da vossa, submergir-me, invadir-me, substituir-vos a mim, para que minha vida seja uma verdadeira irradiação da vossa. Vinde a mim como Adorador, como Reparador e como Salvador. Ó Verbo eterno, Palavra de meu Deus, quero passar minha vida a escutar-vos, quero ser de uma docilidade absoluta para tudo aprender de vós. Depois, através de todas as noites, de todos os vazios, de todas as impotências, quero ter sempre os olhos fixos em vós e ficar sob vossa grande luz; ó meu Astro amado, fascinai-me a fim de que não me seja mais possível sair da vossa irradiação.

Ó Fogo devorador. Espírito de amor, “vinde a mim” para que se opere em minha alma como que uma encarnação do Verbo: que eu seja para ele uma humanidade de acréscimo na qual ele renove todo o seu Mistério. E vós, ó Pai, inclinai-vos sobre vossa pobre e pequena criatura, cobri-a com vossa sombra vendo nela só o Bem-Amado, no qual pusestes todas as vossas complacências.

Ó meu Três, meu Tudo, minha Beatitude, Solidão infinita, Imensidade onde me perco, entrego-me a vós qual uma presa. Sepultai-vos em mim para que eu me sepulte em vós, até que vá contemplar em vossa luz o abismo de vossas grandezas.