Nossa Senhora da Assunção e São José


Beata Maria dos Anjos

Virgem de Nossa Ordem

Nasceu em Turim, no ano de 1661, onde viveu até a sua morte, ocorrida em 1717. Entrou para o Mosteiro das Carmelitas Descalças, em 1675, sendo várias vezes Priora. Encarregada da formação das noviças, soube transmitir-lhes o autêntico espírito teresiano. Quase constantemente imersa na noite do espírito, deixou às irmãs inumeráveis exemplos de ardente amor a Deus. Vivia em contínuo estado de oração. Teve singular devoção por São José, fundando em sua honra um convento em Moncalieri.

Foi beatificada em 25 de abril de 1865 pelo Papa Pio IX.

Seus escritos:

Muitas cartas e autobiografia, de onde retiramos este trecho, onde relata o despertar de sua vocação ao Carmelo;

"Expuseram o Santo Sudário. Minha mãe enviou-me para venerá-lo. Encontrando-se no mesmo terraço onde eu estava, um dos nossos Padres, perguntou-me se eu queria abrigar-me junto a ele pois chovia torrencialmente; aceitei a oferta, comecei por saudá-lo e agradecer-lhe e outros cum­primentos que se usa no mundo. Ele interrogou-me se eu queria ser religiosa. Eu respondi: com minha idade, tenho ainda muito tempo para pensar; porém o bom religioso não se contentou com essa resposta, e insistiu muito comigo di­zendo que eu já tinha aparência de vocacionada. Deixei-me convencer. Respondi que sim. Perguntou-me: Onde? —Em Saluzzo. Mas meu coração não se aquietava e eu temia que dissessem que eu não tinha vocação e além disso, não en­contrava convento que me agradasse. Prontamente externei o que havia pensado, coisa essa, bem contrária ao meu natu­ral, sendo bem reservada em falar de minhas coisas; mas Deus permitiu para o meu bem. Disse-me: Aceitaria ser das nossas? Eu lhe respondi: — Não as conheço. Então contou-me a vida que levavam... Enquanto ia descrevendo sua ob­servância, sentia que ia crescendo em mim o desejo. Naque­le momento veio uma rajada forte de vento e chuva. Este bom religioso colocou sua capa sobre minha cabeça. Oh! Deus! que efeito causou no meu íntimo essa capa! Parecia-me es­tar sob o manto da Ssma. Virgem; suplicava-lhe para querer aceitar-me por sua filha... O mesmo pedido fiz ao Santo Su­dário e com tanta ternura de coração que, o que não me de­sarrumou a chuva do céu, me desarrumaram as lágrimas dos meus olhos. Fiquei com tal segurança íntima que já não duvi­dava mais. Terminada a função religiosa agradeci ao Padre... Voltei para casa. Era tanto o júbilo do meu coração que não podia ocultá-lo, e assim comecei a bradar em alta voz: serei Carmelita, serei Carmelita! Meu irmão dizia para a criadagem da casa: "Esta menina perdeu o juízo", (da autobiografia)